Entrevista de Márcia Starlick

Como fazer juntos uniu ainda mais uma família

Superação. Esta é a principal palavra para descrever a trajetória de Marcia Beatriz Wentz Starlick nos últimos cinco anos. Natural da pequena cidade de Selbach, no Rio Grande do Sul, conheceu o marido na cidade universitária de Santa Maria, casaram-se quando ela tinha 22 anos e se mudaram para Tapera, também no RS. Apesar de seu marido ter herdado terras na região, ele preferiu cultivar as lavouras com seu próprio suor e isso incluía ir para outras localidades. Eles buscavam uma cidade que oferecesse boa infraestrutura para a educação dos filhos, que tivessem terras férteis e oportunidades para crescimento. Foi então que vieram para Mato Grosso, mais especificamente para a cidade de Sorriso.

Em Mato Grosso, a família começou abrindo áreas e cultivando arroz no primeiro plantio, para posteriormente plantar soja e milho. Compraram uma terra, mas tiveram que se desfazer da propriedade na crise de 2004 e 2005, quando os preços da soja despencaram. Aos poucos foram se recuperando, mas ao invés de comprar novas áreas a família decidiu arrendar e atualmente possui seis mil hectares de lavouras.

Os negócios iam bem e os filhos estavam formados quando o pai ficou doente. Teve um câncer muito agressivo e faleceu em pouco tempo. Foi uma tragédia na família e uma perda irreparável para Márcia que há 31 anos dividia seus dias com Nestor. Ela, que até então cuidava dos afazeres domésticos e acompanhava a atividade agrícola mais de longe, foi surpreendida pela necessidade de ajudar os filhos a cuidar dos negócios e a dividir as tarefas e responsabilidades. “Foi um momento muito difícil para nós, que só tínhamos a nós mesmos. Tenho apenas uma prima que mora em Lucas do Rio Verde e que procuro manter contato sempre. Apesar de termos muitos amigos na cidade, família mesmo era só nós”, lembra.

“Depois desse episódio negativo, ficamos mais unidos ainda”

Com o tempo eles se recuperaram da dor, se fortaleceram e deram sequência na atividade, com Márcia cuidando da parte burocrática como serviços de banco, cartório e outras documentações, e os filhos ligados diretamente com a plantação. Ela ressalta que cuidar de seis mil hectares não é fácil. “Meu marido já estava repassando muita coisa dos negócios para nossos filhos. Deu tempo de ele orientá-los e, depois da partida dele, foi só o tempo de nos recuperarmos da perda para tentarmos voltar à normalidade e tocar os negócios”, conta Márcia ao comentar que isso tudo só deixou os três ainda mais unidos.

Dona Márcia lembra que, nos momentos difíceis após a perda do marido, foi acolhida pelo Sicredi quando foi se atualizar sobre a situação financeira da família e dos negócios. “Tive um atendimento que me fez ficar muito à vontade e segura do futuro”. Hoje, a família já aumentou, pois seu filho mais velho tem uma filhinha de 1 ano, que passou a ser o xodó da família, e o seu filho caçula ficou noivo recentemente. E é pensando no futuro e construindo juntos que a família Starlick escreve a sua história junto à cidade de Sorriso.