Entrevista de Márcia Eberhardt

Fazendo a diferença na educação infantil de Juína.

A história da professora Márcia é marcada por superação, especialmente quando era criança. Ela nasceu com uma deficiência no pé e por conta disso teve que fazer cirurgias ainda muito nova, o que retardou a sua alfabetização, tendo aprendido a ler e a escrever aos 8 anos. Quando ela tinha por volta de 10 anos, seu pai viu uma propaganda do governo federal dizendo que havia terras baratas em Mato Grosso. Essa proposta, aliada à crescente violência que já era registrada em São Paulo, fez o pai vender o que tinha e mudaram-se para a cidade de Juína.

E a história escolar de Márcia continuou em Mato Grosso. Cursou o ensino fundamental e, quando ia para o Ensino Médio, enfrentou mais um desafio para estudar: a resistência do pai em permitir que as filhas estudassem à noite. Na época, essas séries só eram oferecidas no período noturno. Foi uma luta para convencê-lo a permitir. Até que decidiu fazer greve de fome. Ficou três dias sem comer e, vendo isso, o pai disse que se ela quisesse estudar à noite teria uma condição: ele iria levá-la e buscá-la todos os dias. “Como o meu desejo era estudar mesmo, não me importei”, relembra.

A professora Márcia conta que conseguiu fazer dois cursos no Ensino Médio, um na área de Contabilidade – porque adorava matemática - e o Magistério, no qual iniciou sua carreira em sala de aula, aos 18 anos, com Educação de Jovens e Adultos, uma fase que para ela foi apaixonante. Mais tarde, também cursou Pedagogia e, há 17 anos, leciona na educação infantil, o que traz muita alegria por conta da espontaneidade das crianças. Márcia conheceu o Programa A União Faz a Vida há 7 anos e se apaixonou pela metodologia. Já atuou na coordenação de escola, como professora e diretora e jamais se afastou do programa que é a maior iniciativa de responsabilidade social do Sicredi.

“Deficiência não é limitação”

A docência trouxe muitas alegrias para a professora e a ajudou a vencer o preconceito. Ela conta que, por causa da deficiência e das cirurgias, teve sequelas que atraem muitos olhares curiosos. Por conta disso, desde a adolescência ela só usa calça para que as pessoas não a tratem de forma diferente e a reconheçam pela sua capacidade técnica.

A professora Márcia também pretende fazer mestrado para se aperfeiçoar ainda mais, e está aguardando a melhor oportunidade. Um fato marcante em sua trajetória foi a possibilidade de ser enxergada pela sociedade não só pela sua limitação física, mas pela profissional que batalhou para ser. E é exercendo a profissão pela qual é apaixonada que Márcia faz a diferença na vida de muitas crianças em Juína.